Compaixão Para Os Novos Tempos

por Moira Malzoni, cofundadora do Momento Moved by Mindfulness

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Em um panorama pós-pandemia e diante de todos os desafios que já tínhamos como sociedade, como os temas da compaixão, do altruísmo e da empatia serão incorporados nos próximos anos? Eles serão centrais na nova cultura que desejamos desenvolver? Como a compaixão vai permear a forma de nos relacionarmos em sociedade e os processos nos mais diversos campos, como a política, a economia e o meio ambiente? De que maneira viveremos daqui para a frente? Na minha visão, essas perguntas são mais relevantes do que nunca e encarar esse desafios com consciência é um caminho sem volta.

A pandemia colocou uma lente de aumento em questões que já existiam e se tornaram ainda mais evidentes. Um vírus surgido na China rapidamente se espalhou por todo o planeta, explicitando a maneira como estamos todos interligados e interdependentes. Algo que acontece do outro lado do mundo, de uma hora para outra, tem impacto global e transforma radicalmente o modo de vida que conhecíamos até então. Estamos todos juntos, mas cada um em seu quadrado – em nome da saúde coletiva.

O isolamento social foi uma oportunidade para mergulharmos dentro de nós mesmos e refletirmos sobre qual sociedade desejamos viver. Queremos aprender a lidar melhor com as nossas emoções? Queremos melhorar as nossas relações com os que estão à nossa volta e o nosso impacto como humanidade no planeta? Espero que sim. É chegada a hora de partirmos para um salto em direção a uma nova civilização.

Construir essa nova realidade é fruto de um processo de escolha. É algo que se constroi a partir da consciência que desenvolvemos ao observarmos as coisas com atenção plena e presença. Em percebermos que somos parte de algo maior, enxergando a nossa existência como parte de um grande organismo vivo, que funciona de forma interdependente. Em desenvolvermos a habilidade da compaixão, que pode ser definida como “a emoção que se experimenta quando nos sentimos preocupados com o sofrimento do outro e desejamos melhorar o bem-estar desse indivíduo” (Keltner e Goetz, 2007).

A oportunidade surge quando nos permitimos entrar em contato com nossos valores internos, com nossa real natureza e, a partir da tomada dessa consciência, partimos para a ação. Está claro que não é algo rápido e fácil de ser feito, mas e se nos organizarmos para fazer isso coletivamente? Muitas pessoas e organizações em diversos países já deram início a esse movimento.

Uma iniciativa começou na Inglaterra: o Compassion in Politics. Trata-se de uma organização multipartidária que trabalha para colocar a compaixão, a inclusão e a cooperação no centro da prática política. No Brasil, temos um projeto embrionário do grupo de instrutores de CCT (Compassion Cultivation Training©), o CCT Brasil, sob o título: Compaixão na Política.

Na Alemanha, o Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences, em Leipzig, liderado pela cientista Tania Singer, vem pesquisando o tema da compaixão e do cuidado na economia. O livro “Caring Economics” (economia do cuidado, em tradução livre), organizado Tania e Matthieu Ricard, faz uma ampla discussão de base científica sobre a economia e o altruísmo. Cada capítulo foi escrito por um especialista na área e a publicação traz ainda uma reflexão do líder budista Dalai Lama a respeito do tema.

Na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, foi criado um centro de pesquisa e educação sobre altruísmo dentro do Departamento de Neurocirurgia da Escola de Medicina da instituição. O Center for Compassion and Altruism Research and Education, ou CCARE, foi fundado em 2008 pelo Dr. James Doty. Em 2019, o professor Ph.D Thupten Jinpa criou um programa de treinamento de cultivo da compaixão, hoje difundido em cursos para pessoas e para empresas. O CCARE une neurocientistas, cientistas comportamentais, geneticistas e pesquisadores biomédicos proeminentes para examinar de perto os correlatos fisiológicos e psicológicos da compaixão e do altruísmo.

Compaixão não é ter pena, não é se envolver de tal modo com o sofrimento do outro que nos misturamos a ele e perdemos o controle da situação. De acordo com o Compassion Institute, ter compaixão é primeiro termos consciência do sofrimento do outro e então desenvolvermos a motivação para aliviar e prevenir esse mesmo sofrimento. Trata-se de um processo para a ação e não apenas uma emoção que sentimos passivamente.

Podemos pensar a compaixão como um traço inato em todas as pessoas, que pode ser explicado pela nossa necessidade de cooperação enquanto humanidade. Nossa capacidade de sentir compaixão garantiu a sobrevivência e o desenvolvimento da nossa espécie por milênios. A boa notícia é que essa habilidade pode ser aprimorada. O treinamento desenvolvido em Stanford, chamado CCT™ (Compassion Cultivation Training©), ensina como cultivar a atitude e como praticá-la na vida cotidiana, inspirando a ação compassiva por nós mesmos e pelos outros: em casa, no ambiente de trabalho e na vida em sociedade.

Cultivar a compaixão como prática diária ajuda os indivíduos a  enfrentarem relacionamentos desafiadores e a gerenciarem o estresse da vida moderna. Estudos científicos apontam benefícios como a diminuição de sentimentos como raiva e ansiedade e há relatos, inclusive, da diminuição da severidade de dores crônicas. Por outro lado, percebeu-se o aumento da sensação de calma, da autoaceitação e da aceitação dos outros, assim como de uma melhor satisfação no ambiente de trabalho.

            Que esse período tão doloroso da pandemia pelo qual estamos passando nos sirva para abrirmos novos caminhos em direção a uma sociedade mais empática, altruísta e compassiva. Melhorando a vida dos outros, melhoramos a vida de nós mesmos.

Professores de mindfulness, ciência estudada nas principais universidades do mundo

Em 1979, o biólogo e professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts Jon Kabat-Zinn desenvolveu um programa chamado Mindfulness-Based Stress Reduction – MBSR (Programa de Mindfulness de Redução do Estresse), para pacientes do hospital da mesma Universidade. Inicialmente destinado a pacientes que sofriam de dor crônica e apresentavam quadros de estresse, o protocolo foi usado para diversos públicos e pesquisas científicas.

O professor já era praticante de meditação zen budista, a qual adaptou no intuito de proporcionar o estado de mente presente, centrada no “aqui e agora”, ao maior número possível de pessoas – de maneira que a técnica independesse de qualquer crença religiosa. Daí a referência de o mindfulness ser uma forma de meditação laica.

Ciência aplicada

Desde sua origem, portanto, o mindfulness é profundamente ligado ao pensamento acadêmico. Todas as contribuições e indicações são embasadas por estudos desenvolvidos em centros de pesquisa, formação e ensino da prática, em diferentes lugares do mundo. São muitas as instituições dedicadas a quem deseja se tornar um instrutor da atenção plena. A formação se dá de forma contínua, composta de retiros, cursos e especializações.

O Brasil aparece nesse mapa com o Núcleo de Mindfulness e Promoção da Saúde, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que oferece o Programa Mente Aberta, e com o Retiro Avançado em Mindfulness (também da Unifesp), que promove o encontro de profissionais do setor, o aprofundamento da prática pessoal, a troca de experiências e o atendimento a dúvidas e dificuldades na condução dos grupos.

La fora, além da escola britânica Breathworks, criadora do programa Mindfulness-Based Pain Management (MBPM), há também o Oxford Mindfulness Centre, da universidade de mesmo nome, criador do modelo Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT).

Os Estados Unidos aparecem como grande polo formador de instrutores do mundo todo, com a Universidade de Stanford e seus programas do Center for Compassion and Altruism Research and Education; e o Mindful Awareness Practices (MAPs), oferecido pelo Mindful Awareness Research Center, da Universidade da Califórnia (UCLA).

O que são os programas de formação?

Os estudos científicos foram, em grande parte, responsáveis pela popularização da prática no Ocidente, desenvolvendo e ampliando seus conceitos por meio de protocolos que permitem a sistematização dos estudos e a comprovação dos resultados, a exemplo do que ocorre com qualquer outro tipo de ciência. Uma forma de seguir o método em todos os grupos. E, dessa maneira, abrir espaço para o estudo acadêmico do mindfulness.

Os programas de introdução à técnica são voltados aos interessados em incluir a meditação em seu dia a dia. Para se tornar um instrutor da prática, no entanto, é preciso ingressar em outras esferas de estudo, seguir com formações e especializações e se qualificar com um certificado de professor de mindfulness, como o do International Mindfulness Teachers Association (IMTA).

Saiba mais aqui sobre a formação dos nossos instrutores.

Como o mindfulness pode ajudar a combater a ansiedade

Segundo levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em 2017, o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo – e o quinto em casos de depressão.

O estudo mostra que 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade, ao passo que a depressão afeta 5,8% da população – que transforma o problema numa questão de saúde pública. E, entre os sintomas, especialistas apontam a dificuldade de concentração, problemas no sono e preocupação excessiva.

Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S.Paulo, o especialista em saúde mental da OMS, Dan Chisholm, afirmou ser difícil indicar um fator isolado que explique a alta taxa desse tipo de transtorno no Brasil – e o mesmo vale para quadros de depressão.

Porém, em sua avaliação, Chisholm pontuou fatores particulares à realidade atual do país, como a situação econômica e seus desdobramentos: níveis de pobreza, desigualdade, desemprego e recessão. Embora fatores ambientais, como o estilo de vida em grandes cidades, também apareçam entre as possíveis causas.

A resposta da atenção plena

Ao contrário do que normalmente pensamos quando falamos em meditação, a resposta do mindfulness não é encontrar formas de “fugir” de pensamentos ou emoções que consideramos negativos. Mas, sim, nos voltamos a eles com compaixão e atenção aos gatilhos que os provocam.

Para a meditação mindfulness, quando somos “invadidos” por emoções, é necessário reconhecer que elas existem e que estão nos influenciando. Dessa forma, conseguimos aceitar esses sentimentos e, a partir disso, promover transformações na forma como respondemos a eles.

Esse exercício diário inclui darmos atenção também às sensações físicas que acompanham essas emoções e pensamentos adversos. O que nos ajuda a ter maior clareza a respeito dos fatos que os desencadeiam.

Muitas vezes, nossos pensamentos estão atrelados a fatos passados ou a possibilidades no futuro, o que gera ansiedade e frustração por não termos como muda-los. Por isso dizemos que “ser mindful” é se conectar ao que acontece no presente.

E para que todo esse processo possa se dar de forma harmoniosa, em nosso corpo e mente, a autocompaixão é o caminho. Ser gentil e atencioso consigo mesmo é uma forma de cultivar a gentileza e o olhar cuidadoso também para com o outro.

Vida moderna: como preparar sua mente para lidar com tantos estímulos?

Você já pensou na possibilidade de preparar sua mente para os desafios que a vida moderna apresenta? São muitas as telas – celulares, tablets, computadores – e muitos os pratos para equilibrar: notícias das mais variadas naturezas (e que causam impacto mesmo sem percebermos), compromissos diversos, e-mails, mensagens… Ufa! Como sobreviver num mundo com tantas pressões? Para o mindfulness, a chave está em entender como treinar a mente moderna, preparando-a para uma realidade que tende a nos expor a um número cada vez maior de estímulos. Tudo isso sem perder de vista o equilíbrio e a qualidade de vida.

Para ajudar a entender melhor como o mindfulness pode contribuir para a saúde da mente moderna, o Estúdio Moved by Mindfulness  promoverá a palestra Mindfulness – Entendendo o treinamento da mente moderna no dia 30 de julho – inscrições aqui –, para abordar a relação entre nossos pensamentos, ações e sentimentos em um mundo que parece girar cada vez mais rapidamente. A atividade acontece das 20h15 às 22h.

Na ocasião, serão abordados os principais conceitos e práticas que envolvem os benefícios que o mindfulness pode nos trazer, para que conquistemos uma vida com mais qualidade e bem estar – além de apresentar pesquisas científicas e o panorama da prática no mundo. O programa segue uma técnica laica, prática e simples, e é destinado tanto a quem não tem experiência em meditação quanto para aqueles que já meditam e querem uma oportunidade para aprofundar sua técnica.

Durante os trabalhos, serão também apresentados os novos cursos do Estúdio, que formam a base para compreender os princípios da atenção plena, desenvolver uma prática de meditação pessoal, e aplicar os conceitos de mindfulness na vida diária.

O valor para a participação é aberto às possibilidades dos interessados. Cada um avalia o quanto pode pagar.

Palestra Mindfulness – Entendendo o treinamento da mente moderna

Com Marcelo Maia

Dia 30/07

Ano 2018

Horário: das 20h15 às 22h

Autocompaixão e mindfulness – Estúdio traz especialista Kristy Arbon para workshop em julho

Em 2012, a australiana (hoje residente nos Estados Unidos) Kristy Arbon procurou seu primeiro curso de mindfulness e compaixão (Mindful Self-Compassion – MSC). Formada em psicologia, pela Universidade de Adelaide, e pós-graduada em Trabalho Social, pela Universidade Flinders – ambas na Austrália –, Kristy já era praticante de meditação, mas sentia, como ela mesmo conta em seu site oficial, que “algo estava faltando”.

“Na minha prática de meditação, no meu relacionamento comigo mesma, na minha capacidade de me conectar com os outros, no meu compromisso com meus valores fundamentais. Eu sabia disso há algum tempo, mas não sabia o que fazer sobre isso”, conta.

O que a instrutora descobriu em sua jornada será agora compartilhado durante o Workshop de Introdução ao Mindful Self-Compassion, que o Estúdio de Meditação Moved by Mindfulness traz com exclusividade ao Brasil, nos dias 23 e 24 de julho.

“A autocompaixão é um trabalho voltado para o tratamento gentil a nós mesmos, o mesmo tratamento que daríamos a um amigo que está enfrentando um momento desafiador”, explica Kristy. “Muitos de nós tendemos a nos julgar constantemente, sem nem mesmo perceber que estamos fazendo isso. Nós podemos ser muito duros conosco quando cometemos algum erro ou quando nos sentimos estressados”

Para o mindfulness, praticar a autocompaixão significa tratar a nós mesmo com cuidado, assim como aprender a estar presentes, vivendo a vida com mais leveza. “A autocompaixão nos motiva a realizar mudanças não porque nos desvalorizamos ou porque nos achamos inadequados, mas porque cuidamos de nós mesmos e queremos sempre o nosso melhor”

O workshop realizado pelo Estúdio dará ferramentas para lidar com as emoções mais desafiadoras de forma amável e gentil. Por meio de conversas, discussões, meditações e exercícios experienciais, os participantes irão desenvolver habilidades práticas para conseguirem trazer a autocompaixão para a vida diária.

Como parte do conteúdo, a atividade abordará os três componentes da autocompaixão definidos pela Ph.D Kristin Neff, uma das maiores especialistas do mundo no tema, como:

• Explorar as pesquisas que dão suporte aos benefícios da autocompaixão;
• Aprender formas para se acalmar, especialmente durante tempos de estresse;
• Praticar a meditação e os exercícios para aumentar a compaixão na vida diária

Para conhecer mais sobre o trabalho de Kristy Arbon, visite seu site oficial.

Confira as informações sobre o workshop:

Workshop de introdução ao Mindful Self-Compassion (autocompaixão)
Com Kristy Arbon
Dias 23 e 24 de julho (segunda e terça)

Ano 2018

Horário: 19h às 22h

Alimentação e mindfulness: um convite para comer com atenção plena

Alimentação e meditação. Que benefícios podemos tirar dessa relação?

A meditação mindfulness, termo traduzido do inglês como “consciência plena”, nos convida a realizar todas as atividades do dia a dia com mais atenção ao momento presente. Desde nossas tarefas pessoais até atividades profissionais, passando pela forma como praticamos atividades físicas, como caminhamos, como ouvimos o outro e também a maneira como nos alimentamos.

A essa consciência trazida para a alimentação – e que envolve diferentes aspectos do ato de comer – chamamos Mindful Eating. Uma linha de estudos e práticas dentro do mindfulness voltada a ajudar na mudança do nosso relacionamento com a alimentação, buscando uma relação mais leve e prazerosa, sem críticas ou culpa. Um exercício para livrar nossa alimentação do estresse e da ansiedade e desassociar o ato de comer de comportamentos compulsivos, como a tentativa de “afogar” emoções.

Conheça aqui o trabalho do Center for Mindful Eating, uma organização sem fins lucrativos, com sede nos Estados Unidos, e que tem o objetivo de ser um lugar de conversação, networking e aprendizado para profissionais e interessados em aprender como aplicar o mindfulness na relação com a comida.

Sobre nosso curso

O curso de Mindful Eating, trazido pelo Estúdio de Meditação Moved by Mindfulness, não se propõe a apresentar nenhum tipo de dieta, assim como não tem o objetivo de estabelecer a maneira “certa” de comer – ou apontar a forma “errada”.

Ao longo de 8 semanas, com um encontro semanal, o ponto chave trabalhado é a conscientização. Com atenção plena podemos perceber o “piloto automático” que nos leva a comer – muitas vezes em ter fome ou sem saborear de fato os alimentos –, a fim de que seja possível incorporarmos mudanças no ato de nos alimentar.

O curso é voltado para todos os públicos – e, entre eles, se encaixam também casos de obesidade e transtorno alimentar, como a compulsão e o chamado “comer emocional”.

Baseadas em vivências, as aulas são compostas de exercícios práticos de como comer e viver no momento presente. Assim como exercícios de meditação mindfulness ligados ao tema, informações úteis e discussões para darmos pequenos passos rumo a formas de cuidarmos melhor de nós mesmos.

Nosso programa ensina:

  • o que é mindfulness e porque usar na alimentação
  • a comer segundo os 9 tipos de fome
  • a utilizar ferramentas para lidar com o comer emocional
  • a comer com calma e atenção
  • a libertar-se de padrões condicionados ao redor do comer;
  • a quanto comer: diferença de saciedade e satisfação
  • a lidar com desejos por determinados alimentos
  • a desenvolver o perdão, compaixão, aceitação do corpo e autocuidado;

 

Informações sobre horários e inscrições aqui.

Palestra introduzirá o tema

Antes do início do curso, cujo primeiro encontro acontecerá no dia 21 de agosto, realizaremos também a palestra “Mindful Eating – Descontar na comida, como lidar?”, que abordará as sensações que nos levam a comer mesmo quando não temos fome.

No centro das discussões, faremos a pergunta “se não era fome, o que fez você comer?”, como forma de investigar  o que nos leva a “descontar” nossas emoções no ato de comer.

Na ocasião, apresentaremos técnicas de mindfulness aplicadas no comportamento alimentar (Mindful Eating) com o objetivo de encontrar formas para livrar nossa alimentação do estresse cotidiano.

Infância e meditação: os benefícios do mindfulness para crianças

Infância e meditação. Muito se tem falado sobre essa relação. Quais os benefícios? Por que ensinar meditação para nossos filhos?

As crianças têm seu ritmo e formas de perceber e lidar com o mundo. Características que são próprias da infância e que se somam à personalidade de cada um – os mais quietos, os mais agitados, os mais curiosos, os mais contemplativos…

Por isso, vale ressaltar que a meditação mindfulness na infância não tem o objetivo de oferecer ferramentas para “acalmar” as crianças ou para “ajustar” seu comportamento aos padrões que os adultos consideram adequado.

Ao contrário, o mindfulness para os pequenos quer apresentar respostas para que nossos filhos sejam crianças mais felizes – e com isso queremos dizer mais atentas a seus sentimentos, mais pacientes, mais confiantes.

O curso Mindfulness para Crianças, baseado no Método Eline Snel e trazido pela primeira vez ao Brasil por nosso estúdio, segue um programa internacionalmente reconhecido e já aplicado em países como Alemanha, França, Espanha, Bélgica, Hong Kong, Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, México e Estados Unidos. Conheça mais sobre a instrutora e seu método em seu site oficial.

Em muitos desses países, a meditação mindfulness passou inclusive a integrar as atividades dos pequenos nas escolas, como forma não somente de relaxamento, mas para também aumentar a capacidade de sustentar o foco, para reduzir o estresse e para melhoria da qualidade de vida dos alunos.

Confira os conteúdos abordados no nosso programa:

  • Foco e Atenção (percebendo a respiração)
  • Uma expedição ao corpo
  • Os nossos sentidos
  • A paciência, a confiança e o saber deixar para lá
  • Trabalho com as emoções
  • O mundo dos pensamentos e o poder da imaginação
  • Ser gentil é divertido: trabalhando a compaixão
  • O segredo da felicidade

Trabalho e mindfulness: como a atenção plena pode ajudar a melhorar as relações no ambiente corporativo

Por Moira Malzoni e Marcelo Maia, instrutores de mindfulness e fundadores do Estúdio de Meditação Moved by Mindfulness

 

O  grande diferencial do mindfulness é tratar-se de uma técnica que representa mais do que a meditação formal, oferecendo ferramentas para estamos presentes e mais conscientes nas atividades do dia a dia. Os programas que envolvem mindfulness no ambiente corporativo são uma maneira de trabalhar exatamente isso: a atenção plena no cotidiano.

Reuniões
O mindfulness oferece ferramentas para o ambiente de trabaho – como, por exemplo, em reuniões, momentos de interação intensa entre pessoas e grupos. Levar essa consciência para esses momentos significa ajudar os presentes a serem claros ao falar, assim como conseguir ouvir com atenção plena. Isso, em si, já representa uma grande mudança. Sem interrupções, o clima de escuta ativa não apenas abre espaço para que todos tenham a chance de dizer o que pensam, mas também cria a possibilidade de aprender coisas novas, e obter mais informações – tornando possível, consequentemente, nos colocarmos de maneira mais consciente.

Essa mesma atenção plena pode beneficiar também a relação com atividades paralelas como administrar e-mails. Dezenas deles chegam à nossas caixas de entrada todos os dias, o que gera ansiedade e uma sensação de que nunca estamos em dia com nossas respostas e demandas. A proposta do mindfulness para lidar com essa realidade é separar um tempo do dia para esses retornos, tentando escapar da armadilha de atualizar o dia todo a chegada de mensagens. Essa é uma forma de conseguirmos ser mais objetivos durante o tempo que passamos em nossos trabalhos.

Segundo estudos realizados pela Universidade da Calfórnia (UCLA) – veja pesquisa completa aqui – interrupções constantes exigem, em média, 25 minutos para que nosso cérebro retorne ao mesmo nivel de atenção que estávamos. Ou seja, é claro que os e-mails são uma forma imprescindível de comunicação e tráfego de informações, mas deixar que eles interferiram muito na realização de outras tarefas pode significar perda de concentração. Por isso que, diferentemente do ritmo frenético imposto pelos tantos canais de comunicação do nosso cotidiano, fazer uma coisa de cada vez  – e não várias ao mesmo tempo – é fundamental para produzir mais e melhor. Saiba mais sobre sobre a relação entre o mindfulness e a pesquisa científica.

Na hora dos feedbacks
Um dos momentos mais delicados dentro da rotina de uma empresa são os chamados feedbacks – tanto para quem dá esse retorno quanto para quem o recebe. Mas, na verdade, esse poderia ser recurso muito rico para darmos um salto de aprendizado e crescimento. Aqui, o mindfulness nos ensina que é possível fazer dessa troca um ganho mútuo. Quando damos ou recebemos um feedback com atenção plena, podemos nos abrir para emitir e ouvir opiniões. O feedback, assim, se torna um canal para trabalharmos a empatia, assumindo uma postura mais positiva.

Trabalhe a pausa
Todo mundo sabe que fazer exercícios físicos e comer de forma saudável faz bem. Mas nem sempre recebemos ajuda para entender os mecanismos de um órgão que também é de extrema importância: o cérebro. Temos nossos fluxos de pensamento e muitas vezes perdemos o controle sobre ele. Isso gera sofrimento e frustração por não sabermos por onde começar a mudar.
Assim, o mindfulness propões uma espécie de treinamento da mente. E uma das formas de se conseguir isso é perceber que precisamos de pausa. E não se trata de ficar sentado sem fazer nada, mas sim de acalmar os pensamentos. Nem sempre é possível tirar um tempo para, por exemplo, ir à praia, ver o mar e nos afastar do cotidiano atribulado, mas é sempre viável nos retirarmos por alguns minutos, buscar um lugar tranquilo – mesmo na empresa – e meditar. O mindfulness propõe a meditação como uma ferramenta que está sempre conosco. Podemos aprender a contar com nossa respiração como uma aliada para percebermos nosso corpo e mente, sentir o que está desequilibrado e gentilmente nos trazermos de volta a um lugar de mais equilbrio e que nos permita acessar as melhores respostas.

Cursos de Mindfulness In Company
Ao levar essa proposta para as empresas, os cursos de mindfulness In Company desenvolvem um programa que se encaixa na realidade de cada ambiente de trabalho. No treinamento para um grupo dentro da empresa, o objetivo é despertar em todos a necessidade de promovermos pequenas mudanças que miram o bem estar individual e também o coletivo.

Os princípios da atenção plena são trabalhados no contexto de situações típicas de um ambiente corporativo – como a escuta atenta (em reuniões, por exemplo), o foco e a gentileza (para dar e receber feedbacks, entre outras situações de trabalho).

O Estúdio de Meditação Moved by Minfulness tem tratabalhado com diversas empresas, em São Paulo e em todo o Brasil. E nesse caminho, temos encontrado muita aceitação por parte das corporações atendidas pelo estúdio. Os grupos sempre mostram aderência e identificação. Fica claro que estamos levando algo que, na verdade, as pessoas já estão buscando. Uma conta que se fecha harmoniosamente porque, além de tudo, dá resultado. As pessoas começam a se sentir melhor em seus ambientes de trabalho, na relação delas com as outras, consigo mesmas e com suas tarefas.

Muito do que trabalhamos – sobretudo, em nossos cursos corporativos – tem grande ligação com a empatia e a compaixão. E essa é uma das bases dos mindfulness: nos ajudar a lidar melhor com nossas emoções e respostas. Perceber melhor como funcionamos e quais a melhores maneiras de nos relacionar é uma forma de contribuirmos positivamente para a sociedade.

Ansiedade e mindfulness no CreativeMornings

Texto originalmente produzido por Tales Gubes para o Medium

Ser voluntário do CreativeMornings às vezes é uma aventura emocionante. A minha participação é marginal — eu estou presente nos encontros, onde recepciono e conecto pessoas que ainda não se conhecem, e escrevo um registro narrativo sobre o evento. Ainda assim, a cada mês, o CreativeMornings possibilita uma miríade de experiências que podem facilmente flertar com a ansiedade, o tema do mês.

O CreativeMornings é um café da manhã com palestra que acontece em 180 cidades ao redor do mundo. Uma sexta-feira por mês, cada cidade sedia esse encontro gratuito e feito apenas por voluntários a partir de um tema para conectar a comunidade criativa local. Em janeiro, o tema foi ansiedade e para falar a respeito, chamamos Moira Malzoni, fundadora do estúdio de meditação Moved by Mindfulness.

Colocado assim, parece que foi simples e fácil preparar o encontro, quando na verdade ansiedade foi uma emoção presente até a semana do evento. Diferente do que costuma acontecer, somente na segunda-feira conseguimos confirmar a palestrante e preparar as inscrições para serem abertas. O resultado? Entre inscritos e lista de espera, mais de 240 pessoas se interessaram em comparecer ao CreativeMornings para ouvir a Moira falar sobre mindfulness.

A palestra da Moira começou com um minuto de meditação: olhos fechados, postura ereta, posição confortável. O agito do encontro acalmou e nós pudemos enfim nos conectar com o momento de forma mais presente e intencional.

Em português, costuma ser traduzido como atenção plena ou consciência plena. O Mindfulness é uma releitura de práticas religiosas, mas livre de seus dogmas e crenças, oferecendo protocolos que podem ser seguidos por qualquer pessoa. Uma meditação e também um estado da mente, o mindfulness é uma forma de praticar mais presença em relação ao que está acontecendo no agora e de sair do automático. Essa presença vem acompanhada de uma atitude de abertura, curiosidade e não julgamento.

Tudo no mindfulness é muito simples, mas isso não quer dizer que seja fácil. Praticar essa abertura curiosa e livre de julgamento é uma prática que exige atenção contínua às armadilhas que nossa própria mente prega sobre nós mesmos. Afinal, nossa cabeça não para nunca — e meditação não tem a ver com parar de pensar.

Moira apresentou um exercício prático para a vivência do mindfulness. Trata-se do acrônimo RAIN: Reconhecer, Aceitar, Investigar e Não identificar.

Quando somos invadidos por emoções, é necessário reconhecer que elas existem e que estão nos influenciando. As emoções são sempre verdadeiras, elas não mentem. O que pode ser enganoso é nossa reação ou explicação para elas, mas não elas em si.

Após reconhecer a emoção, é hora de aceitar sua existência. Essa é provavelmente a etapa mais difícil do exercício e, também, a mais transformadora. Entender que uma emoção está em nós e que, apesar disso, está tudo bem, é uma prática libertadora.

A etapa de investigar a emoção não diz respeito a analisar nossa reação mental, mas sim a procurar no corpo as sensações físicas que manifestam essa emoção. Essa etapa procura corporificar as emoções, estabelecendo fatos que possam ser observados e descritos.

Por fim, a etapa final do exercício é a de não identificar. Isso implica em compreender que emoções são energia em movimento, elas passam por nós, mas nós não somos o que sentimos. Em vez de ser raivoso ou ser tristeestar com raiva ou estar triste. Este deslocamento do ser para o estar facilita o processo de descolar-se de conceitos fixados e cristalizados.

Para a prática do mindfulness, a autocompaixão é o ingrediente principal, pois nos lembra que, apesar de tudo, está tudo bem. Raiva, tristeza, excitação, tudo isso é passageiro.

O mesmo que vale para as emoções é também verdadeiro sobre nossos pensamentos. Eles não são uma representação fiel da realidade. Com frequência, nossos pensamentos estão agarrados ao passado ou ao futuro, em vez de estarem conectados com o que está acontecendo no presente.

O mindfulness é um recurso para trazer de volta a atenção para o presente. Aliado à autocompaixão, é uma ferramenta poderosa para produzir uma vida mais conectada e consciente. E nas vezes em que nos percebermos escapando para o passado ou para o futuro, ou ainda perdendo a atenção ao presente? Está tudo bem: basta gentilmente voltar ao presente e se reconectar. Com o tempo e a prática, esse exercício vai se tornando cada vez mais fácil — mas nunca automático.

Imagine que você está em 2050 e um novo sistema se desenvolveu: a Economia da Compaixão

O mindfulness cresce em diversas áreas e as mudanças ocorrem não apenas dentro de cada indivíduo mas também no todo que é a nossa sociedade

Imagine que você está no ano de 2050. Muitas tecnologias e novas descobertas apareceram para nos ajudar a viver melhor, a aproveitar mais os recursos naturais e promover a sustentabilidade no planeta. Mas não é apenas no campo da tecnologia que evoluímos, em 2050 aprendemos a nos relacionar de modo mais humano. A meditação e o mindfulness aparecem em diversas áreas do nosso cotidiano e podemos sentir as transformações em toda a sociedade. O mundo evoluiu e estamos finalmente todos conectados. A humanidade está ligada em rede, não apenas uma rede digital mas uma rede de autocuidado e compaixão. Em 2050, as crianças aprendem a meditar na escola e praticam juntas dentro e fora da sala de aula. Nos locais de trabalho as relações são de cooperação e colaboração. Temos espaço para a diversidade e tolerância.

Um minuto de silêncio
Imagine que antes de toda reunião ou conversa iniciamos com 1 minuto de silêncio e todos nos colocamos a ouvir o outro com atenção plena. Em cada conflito ou discussão tentamos nos posicionar no lugar do outro, pensar em como podemos resolver a questão com mais equilíbrio e gentileza.

No comércio podemos ver consumidores mais conscientes, escolhendo produtos alinhados com seus valores de compaixão com os animais e respeito com a natureza. No campo da saúde, temos um promoção de ações ligadas a prevenção de doenças e de melhor qualidade de vida. Cada pessoa se compromete com a auto responsabilidade por sua própria saúde. A meditação junto com escolhas saudáveis são responsáveis por uma transformação nas nossas vidas. As famílias têm reservado um espaço no seu dia para seus membros falarem como se sentem e como podem mudar para melhorar a sua relação.

Nesse ano de 2050 comemoramos a redução das estatísticas da pobreza e da fome mundial, estamos no caminho certo. Percebemos que estamos todos juntos, que somos parte de um único organismo e que não há separação entre nós, estamos todos unidos em uma grande rede de auxilio e cuidado.

Compaixão
Então podemos observar como o modo de nos relacionarmos e de produzirmos mudou, nossa economia não está mais baseada na competição ou no medo da escassez. Nosso sistema econômico agora se chama  ´Economia da Compaixão` ou Caring Economy. 

Agora imagine se tudo isso não fosse somente uma fantasia sobre o futuro, mas pudesse realmente estar acontecendo. No meu entendimento, posso enxergar essa mudança em diversas ações e diversas pessoas todos os dias, no momento presente. Vejo que os trabalhos já começaram. Algumas pessoas e organizações já estão agindo  nesse sentido, estudiosos estão pesquisando como isso pode acontecer. Um exemplo é Tania Singer com seu estudo sobre Caring Economy.

De acordo com Tania, do Instituto Max Planck – Institute for Human Cognitive and Brain Sciences, Leipzig, Alemanha, “a compaixão pode ser definida como a emoção que se experimenta quando nos preocupamos com o sofrimento do outro e queremos melhorar o bem-estar desse indivíduo “(Keltner e Goetz, 2007). Em outras palavras, a compaixão tem um componente afetivo e um componente motivacional prosocial .” O desenvolvimento de emoções sociais, como a compaixão, é crucial para interações sociais bem-sucedidas, bem como para a manutenção da saúde mental e física “.

Pessoalmente acredito nessa força do ser humano em treinar e potencializar seu lado da compaixão, trabalhando para o todo. Agora é uma questão de expandir e crescer, chegar a lugares mais distantes. O momento pede engajamento com nossa prática pessoal. E de dentro pra fora vamos mudando o mundo juntos.

“Os seres humanos tendem a achar fácil simpatizar e se preocupar com os membros de seu grupo. A partir da empatia natural que já temos com algumas pessoas, através da atenção plena, podemos cultivar habilidades para poder expandir esta empatia para mais e mais pessoas. É uma espécie de ´treinamento`. Estamos treinando nossas mentes, estamos expandindo nossa consciência e estamos reverberando isso em nossos atos e ações .” **

*Study: Functional Neural Plasticity and Associated Changes in Positive Affect After Compassion Training  – Cerebral Cortex Advance Access published June 1, 2012

**Article Building a Caring Economy from World Economic Forum in Davos.

(citacões livremente traduzidas por Moira Malzoni)